03 Setembro 2007

Latinização do Marketing

“Latinização do Marketing” foi o termo usado pela Adweek para descrever a crescente penetração da cultura latina em veículos de comunicação nos EUA.

O interesse crescente no talento e na cultura latino-americana é o resultado direto do crescimento explosivo da população latina nos EUA. O grupo hispânico é o maior e mais crescente grupo nos Estados Unidos. Em 2010, os latinos representarão quase 50 milhões, e terão um poder de compra excedendo a 1 trilhão de dólares. E em 2050, a população latino-americana dos Estados Unidos passará de 100 milhões. Isto é, um em cada quatro americanos será latino.
A venda de salsa já ultrapassou a de ketchup desde 1991, e as vendas de tortilhas alcançaram 5,7 bilhões de dólares, capturando 32% do mercado de pão em 2007 de acordo com a associação da indústria de Tortilha.

A edição de setembro da revista Gourmet, se dedica exclusivamente a saborear, celebrar e experimentar a comida latina. “A comida latina transformou-se em parte importante do repertório americano”, diz Ruth Reichl, redator chefe da revista.

Além de tudo isso, a tv a cabo Food Networ solicitou mais 13 episódios do show chamado Simply Delicioso, apresentado pela colombiana Ingrid Hoffman, que também lançará em 2008 seu livro de receitas. O talk show “Every Day With Rachael Ray” também terá dois novos contribuintes de origem latina, ambos de Porto Rico: a chefe de cozinha Daisy Martinez, e a designer de interiores Evette Rios.

Isso sem contar que a maioria dos serviços como metrô, trem, ônibus, e em lugares como bibliotecas, lojas de varejo e alguns restaurantes, sempre trazem uma informação ou até mesmo propagandas escritas nas duas línguas: espanhol e inglês. É impressionante a força que a língua espanhola tem por aqui. Em qualquer lugar que você vá, sempre terá alguém que fale espanhol. E não estou me referindo somente aos latinos, mas aos americanos que falam espanhol.

A pergunta que não quer calar é: por que demorou tanto para que tudo isso ocorresse?

3 comentários:

Apoena Augusto disse...

Demorou porque os americanos são preconceituosos com o resto do mundo e, principalmente, com latinos, pois invadimos o Tio Sam às pencas e tiramos os subempregos deles, sem falar nos problemas sociais causados. É mais ou menos a relação que o paulista tem com o nordestino.
A diferença é que, com números como esses, as empresas inteligentes vão começar a contratar mais latinos para ensinar-lhes como vender mais para os próprios latinos. Aí, sim, o jogo vai ficar divertido.

Paulo Murilo disse...

A cultura latina não agrada somente aos "gringos" da terra do Tio Sam. O espanhol, se não me engano, já é a língua mais falada no mundo. Isto para não falar dos gêneros musicais do Caribe e da América Latina, que invadiram as pistas de dança nos quatro cantos do planeta, as estantes das lojas de CDs e até a mente de quem anda pesquisando sobre música popular. Esta questão, muito bem colocada pela competente blogueira, foi das coisas que mais me chamou atenção quando cheguei nos Estados Unidos: gente falando espanhol, comida à vontade e muita música desta diáspora altamente significativa para história cultural dos povos contemporâneos, especialmente nos dois últimos séculos.

Delyse disse...

A fato é que cada vez mais a cultura latina se torna parte importante e obriga as grandes empresas a pensarem nessa fatia. A Apple por exemplo, tem um iTones dedicado exclusivamente às músicas, livros e filmes latinos e constantemente algum cantor está entre os 10 tops da lista americana.
E eu acredito que isso vá mais tarde, significar melhores empregos para os latinos, que hoje vive na sua grande maioria, nos “subempregos”. Mas claro terá que existir uma melhor qualificação, caso contrário não sairemos do “submundo”.